Sedentarismo prolongado eleva risco de problemas de saúde
POSTADO POR Fitwell Esteio, EM 13.09.2010
Hábitos ativos devem ser incorporados na rotina,
dizem especialistas; efeitos do ócio em excesso não são revertidos com
exercícios.
Passar boa parte do dia inativo aumenta o risco de
morte e de problemas de saúde, ainda que o indivíduo pratique algum tipo
de atividade física formal. O alerta vem de dois artigos publicados
neste mês.
O primeiro deles, assinado por médicos do Instituto
Karolinska (Suécia) e divulgado no "British Journal of Sports Medicine",
sugere que ficar sentado por períodos prolongados é "verdadeiramente
danoso ao organismo", independentemente da prática sistematizada de
exercícios -na academia, por exemplo.
Eles afirmam que estudos
recentes estabelecem que ficar sentado por longos períodos e a falta de
atividade muscular são fatores de risco independentes para doenças.
"É
cada vez mais fundamentado pelos estudos que é preciso incorporar mais
atividade física no dia a dia. O conforto da vida moderna é o grande
vilão, porque trocamos muitas das atividades que poderíamos fazer pelo
apertar de um botão", afirma a fisioterapeuta Gerseli Angeli,
diretora-científica do Cemafe (Centro de Medicina da Atividade Física e
do Esporte) da Universidade Federal de São Paulo.
É o que também
mostra a pesquisa australiana publicada no periódico "Circulation", que
analisou risco de mortalidade e tempo inativo. Após avaliarem 8.800
pessoas com mais de 25 anos durante seis anos, os pesquisadores
constataram que cada hora passada em frente à TV aumenta em 11% o risco
de morte por qualquer causa e em 18% o risco de morte por problemas
cardiovasculares, mesmo após excluírem fatores de risco já conhecidos,
como colesterol, tabagismo, gordura abdominal e prática moderada de
exercícios.
No artigo, afirmam que "ainda que a ênfase para a
prática de exercícios moderados ou intensos deva permanecer, os achados
do estudo sugerem que reduzir o tempo em frente à TV ou de comportamento
sedentário também ajuda a prevenir problemas cardiovasculares e morte
prematura".
Os pesquisadores afirmam que é necessária uma
investigação mais profunda para estabelecer os mecanismos que relacionam
longos períodos de inatividade a uma saúde mais pobre. Uma das
hipóteses é a ação de uma enzima que tem papel fundamental na regulação
dos níveis de gordura no sangue -e que ficaria alterada nos longos
períodos sedentários, podendo levar a mudanças metabólicas, como
colesterol alto.
Por causa dessas respostas fisiológicas, dizem
os cientistas, as mudanças no organismo após o excesso de ócio não são
anuladas com o aumento de exercício físico. Por isso, é aconselhável não
passar longos períodos inativo.
Gasto calórico
Segundo
o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade
Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte, o gasto energético
semanal acima de 2.000 calorias em atividades também é associado, em
trabalhos científicos, a uma menor mortalidade geral.
"Isso
equivale a 32 km percorridos a pé. Na academia, há uma chance razoável
de chegar a isso, mas incorporar hábitos ativos no dia a dia eleva a
probabilidade de alcançar a meta."
Um outro trabalho, diz
Lazzoli, já mostrou que subir mais de 55 lances de escada por semana
reduz a mortalidade em 23%. "Alguns cânceres têm ligação com gasto
energético, como o de mama", acrescenta.
Por esse motivo, é
indicado tornar a rotina mais ativa, preferindo a escada ao elevador e
fazendo caminhadas curtas.
Fonte: Folha Online


